quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Minha vida em CORES

Vamos nos esquecendo de nosso bege pai. Bege é uma cor fácil de esquecer... Mas meu irmão laranja não esquece tão fácil!
Já minha irmã é tão estranha, interessante, dramática e doetiamente roxa que fica difícil de ignorar. Às vezes se finge de rosinha, não é tão difícil para sua cor. Mas os amargurados espinhos roxos estão lá, cuidado!
Me entretenho com minha gatinha, enjoadamente lilás, e minha cachorrinha, de um vermelho alaranjado muito inquieto. Esqueço do meu amarelo, e isso aflige minha rósea mãe que, volúvel, ora fica se avermelhando de raiva, ora fica se avioletando em lágrimas e desespero.
Meu laranja irmão tenta me esquentar e dar força. Mas ele tem seus próprios interesses laranjas e não consegue deixar de gravitar para seu tom. Como gradações da mesma cor primária, nos entendemos e podemos transitar um para a tonalidade do outro, de vez em quando. Mas somos distintos! Às vezes, a mostardisse dele me agride, me enche o saco. Mas sei que meu amarelo-limão também é muito irritante, orgulhoso, metido à besta.
Quando me esverdeio não agrado a ninguém. Fico depressivo, pessimista, lento, desligado, com orgulho infantil e vaidade ignorante. Triste... Porque perco calor ao querer me tornar cor fria.
Minha mãe recorre a minha tia mais próxima, sua irmã mais velha. Seu marrom-terra é caloroso e seguro, confortável. Mas é bem diferente do matiz de minha mãe, que sente falta do vermelho intenso de sua irmã do meio, mais distante. As cores delas se entendem melhor.
O laranja de meu irmão ajuda a cor de minha mãe, às vezes, mas é bem difícil um tom tão forte transitar pro outro: o rosa só vê rosa, no máximo bordô; o laranja só vê laranja, no máximo ferrugem. Mas há momentos purpuramente puros entre os dois.
No meu caso, quando desperta minha luz amarela, ilumino a todos. Quando vai se esverdeando e apagando, penso que estou ficando translúcido e sumindo... Mas não estou, estou esverdeando e todos me vêem e ficam tristes.Fujo para o azul, com medo do branco que me espera. Branco do nada, branco do tudo! Preciso mergulhar nele de uma vez porque, um dia, ele vai embora e só restará o preto...

Todos somos Promethea



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